sexta-feira, 18 de julho de 2014

Só os fortes sobrevivem

Após assistir a trilogia Zeitgeist (https://www.youtube.com/watch?v=5R_Vm2wCQj4), ouvir um dos audios do canal MXVENUS no Youtube e olhar ao redor, estou convencido de que nossa sociedade monetarista de fato ruiu, colapsou, não deu certo. O que temos não pode ser chamado de Sociedade, mas o que restou dela. Não consigo ver onde está algum sucesso em produzir uma sociedade onde os 85 indivíduos mais ricos (indivíduos!) detém quase metade da riqueza do planeta (http://m.oglobo.globo.com/economia/grupo-dos-85-mais-ricos-do-mundo-tem-riqueza-igual-dos-35-bilhoes-mais-pobres-11355568)! Também faz sentido pra mim que a solução seja o estabelecimento de um sistema de valores não-monetarista, baseado na abundância, no amor e na generosidade. 
 
Ao buscar um argumento favorável ao modelo atual, lembrei da "seleção natural" entre as espécies na Natureza, que aprendemos na escola. Mas, de que tipo de espécie estamos falando? Da espécie animal! Mas se continuamos a buscar na mesma Natureza, encontraremos, por exemplo, entre a espécie vegetal outro tipo de relação, que não é baseada em "vence o mais forte". Se viajarmos para o microcosmo, ou para o macrocosmo, que também são manifestações dessa mesma Natureza, também não encontraremos referências de exploração e violência. 
 
Então, só posso concluir que esse papo de que "só os fortes sobrevivem" é verdadeira falácia, pois, se assim fosse, a raça humana, cujos registros arqueológicos apontam a existência nessas paragens há pelo menos uns 100 mil anos, já era para ter eliminado todos os "fracos" e ser formada hoje em dia apenas pelos "fortes" sobreviventes, que deveriam ser plenos e felizes. 
 
O pior é que, quando ensinamos às nossas  crianças, lá no ensino "fundamental", esse sistema "da natureza", e depois ensinamos uma História que só fala de guerras, exploração, vaidades e egoísmo, vai ficando muito claro para eles que é assim mesmo que funciona, que é "natural", e, então, mais futuros humanos-animalizados vão sendo formados para alimentar esse sistema de separação e guerra. 
 
Se somos mais evoluídos do que os outros animais, temos que viver com base em outro sistema de valores, caso contrário, em nada seremos diferentes. Temos capacidades físicas, energéticas, emocionais e intelectuais muito bem desenvolvidas para serem utilizadas em um sistema de valores em que apenas a força física é suficiente para sustentar a preservação. Vamos pensar na vida de uma onça do Pantanal: ela nasce, cresce, aprende a caçar, a correr, a lutar, se reproduz instintivamente, envelhece e morre. Agora, vamos pensar na vida de um ser humano: ele nasce, é batizado, tem aniversários comemorados, é ovacionado quando fala seu primeiro "mama", vai pra escola, faz apresentação de Dia das Mães, se estressa, provoca estresse nos pais, faz amigos, sorri, chora, tira 10, fica reprovado, faz chorar, faz rir, ama, odeia, acredita em Deus, acredita em Papai Noel, vai pra igreja, sai da igreja, namora, termina, goza, faz gozar, casa, separa, tem filhos, procura emprego, é demitido, acredita na Seleção, pede demissão, ama de novo, tem netos, chora menos, sorri menos, sofre pelo sofrimento dos que ama, sente prazer pela felicidade dos que ama, aprende, ensina, olha pra trás tirando lições e morre. Faz sentido vivermos com base num sistema tipicamente animal e deixar escapar a essa oportunidade a que chamamos Vida todas as outras oportunidades de experimentação e evolução?  
 
 Se a "desculpa" é o funcionamento da "Natureza", nela mesma sobram referências de Amor, generosidade, abundância e equidade. Basta olharmos para o Sol, que nasce todos os dias e nos ilumina e aquece sem julgar nossos atos, incondicional e abundantemente.