sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

A verdade acima de tudo



Tenho me perguntado se as pessoas que reproduzem essa afirmativa estão realmente sendo verdadeiras consigo mesmas (brincadeira, foi só pra não perder o trocadilho!!! rsrsrs)


Mas afinal, o que é a verdade?

Segundo o Priberam (http://www.priberam.pt/dlpo/), seria a "conformidade da ideia com o objecto, do dito com o feito, do discurso com a realidade". Talvez seja aceitável conceituar que a verdade é um "fato percebido". Fato: um evento histórico, algo que realmente aconteceu. Percepção: conclusão a que chegamos após submeter os "fatos" aos nossos pontos de vista, que por sua vez, são influenciados e/ou determinados pela nossa cultura e pelas experiências que vivenciamos. Se isso tudo for mais ou menos assim, seria muita loucura afirmar que a verdade é RELATIVA? Que cada um tem a sua própria verdade? Vamos ilustrar. Fato: objeto brilhante no céu. Para uns, a verdade é que aquilo era um avião. Para outros, a verdade é que se tratava de uma estrela cadente. Já outros terão como verdade que se tratava de um ovni... Fato: atraso para um compromisso. Verdades sobre as causas: "foi o trânsito", "furou o pneu", "fui assaltado", "que nada, a verdade é que você é um Atrasildo"... 


O que fazer com essa verdade?

Muito bem, agora que eu já tenho a minha verdade (baseada nas minhas crenças e percepções), qual o destino dessa informação? O que fazer com ela? Que decisões eu posso tomar a partir dessa verdade? Aprendi com uma pessoa muito especial que passou pela minha vida e já foi pra outros mundos que "uma informação só deve existir se for para viabilizar ou facilitar uma tomada de decisão". É bem verdade que ela se referia ao mundo corporativo, mas, e se adotássemos essa premissa para nossas vidas pessoais? Tenho observado que, de modo geral, desenvolvemos uma enorme capacidade de produzir e de consumir informação, mas ainda precisamos aprender a escolher qual a melhor informação para ser produzida ou consumida, seja ela verdade ou não (ficção). De modo específico, nosso hábito de consumir o máximo de informação possível leva-nos a desejar obter todas as verdades disponíveis, até aquelas que não nos auxiliam na evolução e que só ocupam espaço da nossa atenção sem nos devolver qualquer benefício.


Verdade sobre o quê mesmo?

Será que é claro o real objeto dessa verdade que tanto desejamos? Por que algumas verdades são mais importantes do que outras? Depende de quê? Creio que uma boa resposta seria "depende do impacto que esta informação pode provocar na minha vida". Então, agora o desafio deixa de ser "obter a verdade a qualquer preço" e passa a ser "entender o quanto esta informação impacta a minha vida", o que é de minha própria responsabilidade, o que está ao meu alcance mudar. E isso não parece ser tarefa fácil. Ao analisar as verdades pelas quais lutamos diariamente, será que não encontraríamos muitas que, sendo ou não verdade, em nada influenciariam nossa existência? E o quanto se gasta de energia com essas lutas? A tarefa não é fácil porque muitas vezes misturamos as responsabilidades, não enxergamos com clareza o que é meu papel e o que é papel do outro. Quando alguém nos diz que gosta de amarelo mas achamos o vermelho a mais linda das cores, por que investimos tanta energia tentando convencer o outro a escolher o nosso vermelho? Não tenho dúvidas de que a intenção é a melhor, afinal queremos para o outro o que enxergamos de melhor para nós mesmos, mas é importante ficarmos atentos aos efeitos colaterais. 


Receber verdade e ser feliz 

Então já decidi qual é a minha verdade e está claro que a verdade do outro tem tudo a ver com a minha vida. E aí, vem a verdade: "eu amo você, mas a verdade é que eu gosto de amarelo e detesto vermelho!" E agora? O que normalmente vejo por aí é que a verdade provoca mais desentendimentos do que entendimentos: "se você gosta de amarelo é porque não me ama!" A verdade deveria ser esclarecedora, tornar límpidas e fluidas as relações e proporcionar felicidade! Aprendi com outra pessoa muito especial (que ainda está entre nós! rsrs) que a verdade sobre a minha vida permite que o outro faça escolhas. "Diga-me logo de que cor você gosta pra que eu decida se quero permanecer nesta relação, pois não suporto quem gosta de amarelo!" Uma forma de pensar seria: "gosto de amarelo, mas quero viver esta relação independentemente da cor da qual o outro goste, pois isso não é importante pra mim, o que significa que não deve ser importante para o outro também..." (a minha verdade!) E agora: abro mão da felicidade em nome da verdade (pago o preço) ou "gerencio" a verdade que considerar irrelevante a fim de defender minha felicidade (e na maioria dos casos, a do outro também)? 

Sei que existem inúmeras verdades para as questões levantadas aqui, e nem era mesmo minha pretensão dar resposta alguma para elas. Só consigo concluir até agora que, mais importante do que encontrar as respostas é tomar consciência das perguntas. Essa tem sido a minha verdade!

Um comentário:

  1. Verdade

    Segundo Nietzsche é um exército móvel de metáforas, de metonímias, de antropomorfismos (...), uma soma de relações humanas que foram poética e retoricamente intensificadas, transpostas e adornadas e que depois de um longo uso parecem a um povo fixas, canônicas e vinculativas (Nietzsche, Acerca da verdade e da mentira no sentido extra-moral). Então verdade depende muito do que em que se acredita e não nas coisas como elas são. Existe uma lógica universal quanto a isso, e talvez acreditar em uma pretensa verdade pode até ser útil para alguém; o que "verdadeiramente" excluirá pessoas, ideias, grupos, etc. Mas a pergunta é: qual a importância da verdade, se, de acordo, com Nietzsche ela é uma ilusão? Até que ponto vale a pena discutir verdades, se uma mentira em dado momento pode até salvar uma vida? Concordo com a máxima que colocou "uma informação só deve ser usada se for útil para tomar uma decisão". Verdades ou mentiras, tudo vai depender do modo como elas irão interferir em nossas vidas. Trocando em miúdos é o seguinte - ter razão ou ser feliz?

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